O CDS "não deixa de ter as chaves do carro no bolso para se fazer à estrada e caminhar sozinho"

O CDS "não deixa de ter as chaves do carro no bolso para se fazer à estrada e caminhar sozinho"

O discurso de Manuel Monteiro foi um dos mais aplaudidos no primeiro dia do 32.º Congresso Nacional do CDS-PP, que decorre em Alcobaça, no distrito de Leiria.

Inês Ameixa - RTP Antena 1 /
Paulo Cunha - Lusa

Líder dos centristas entre 1992 e 1998, Manuel Monteiro chegou ao pavilhão onde decorrem os trabalhos com conselhos e avisos aos militantes do CDS, numa altura em que o partido tem sido criticado pela forma como está presente na coligação com o PSD e até com algumas vozes a defenderem que o partido está "diluído".

Mas Manuel Monteiro começa por falar para fora, aos críticos internos que não apareceram em Alcobaça: "Provavelmente alguns dos pesos pesados são tão pesados, tão pesados que temiam que o palco fosse abaixo". Fala em "nuvens passageiras" no partido, que "provocam estragos e que contribuem para lançar a confusão no eleitorado", mas defende que o CDS tem de ser capaz de ler o eleitorado, sobretudo aqueles que estão "descontentes".
E prossegue para abordar aquele que tem sido um dos temas da reunião magna dos centristas em Alcobaça. Manuel Monteiro defende "compromisso" com a AD e que o CDS deve ser "leal" ao parceiro de coligação, o PSD, mas ao mesmo tempo entende que isso "não significa que o partido não diga o que pensa". Respondendo a quem tem defendido que o CDS está a diluir-se por conta da coligação, o ex-líder insiste que "quando se está junto, é-se leal", mas é claro: "Obviamente que um partido está sempre preparado para concorrer a eleições sozinho, sempre".

Manuel Monteiro puxa a fita atrás na história do CDS na Assembleia da República, quando era apontado como o "partido do táxi" ou o partido da "mota de dois lugares", e serve-se da metáfora para deixar o aviso: O CDS "nunca deixa de ter as chaves do seu próprio carro, no seu próprio bolso, para se fazer à estrada e caminhar sozinho", dizendo que acredita que o partido "saberá trilhar esse caminho".

Até este sábado, Manuel Monteiro foi o único antigo presidente do CDS a surgir em Alcobaça para a reunião magna do partido. Também Assunção Cristas surgiu no encontro, mas através de uma mensagem vídeo que foi transmitida aos congressistas. Explica que não lhe foi possível estar presente em Alcobaça e defende que "depois de se ter anunciado a morte do CDS", o partido mostra que está "bem vivo".
O CDS "não é o PSD" e "não tem medo de ir a votos sozinho"
Também Nuno Melo, actual presidente do CDS, falou este sábado para defender a moção de estratégia global com que se apresenta a congresso. O também ministro da Defesa Nacional sublinha que o CDS "não é o PSD", que não é uma "muleta" e que o partido não deve "combater um parceiro de coligação", mas sim os adversários "populistas" e "socialistas". Rejeita as críticas de "diluição" e garante que a marca do CDS está "presente" nas políticas do Governo liderado por Luís Montenegro.

Ao mesmo tempo, Nuno Melo deixa claro que não tem medo de ir a votos sozinho em eleições futuras: "O CDS nunca teve medo de ir a votos. À vossa frente está alguém que já foi a votos muitas vezes sozinho. Dei o peito às balas pelo nosso partido. Nunca nada nos foi dado, o que conquistámos foi com trabalho, não se diga é que temos medo de ir a votos. Se há alguém que nunca teve medo de ir a votos, sou eu", refere.
No Congresso do CDS, este fim-de-semana, será eleito o novo presidente do partido para um mandato de dois anos. Nuno Melo, actual presidente, é recandidato à liderança, contra Nuno Correia da Silva, que apresenta uma moção de estratégia global alternativa à da corrente da continuidade. O ex-deputado do CDS pede um partido mais afirmativo e defende: a AD "é uma coligação que nos dilui, não tenho medo da palavra", argumentando que "quando é uma coligação que dilui, ela só subtrai e não serve o futuro".

Também a presidente da Juventude Popular, a organização política de jovens do CDS-PP, é crítica daquilo que deve ser o futuro do partido. Catarina Marinho pede "mais energia e mais vontade" e considera que o CDS deve preparar-se para "concorrer de forma autónoma a eleições", porque "a AD é muito boa" para o país, mas "um CDS mais forte é ainda melhor para Portugal".
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